Punheta vicia?

Descobriram há alguns meses que punheta vicia e foi decretada a proibição do ato de prazer solitário em todo o território nacional. Desde então, o governo tem distribuído cartilhas nas escolas para ensinar todos os malefícios do onanismo, que vão da cegueira ao aumento da pilosidade nas mãos. Empresas pensam em adotar, no segundo semestre, um teste admissional simples para evitar a contratação de viciados, que consiste em pedir ao candidato passar as mãos em uma peça de veludo para avaliar a calosidade na palma das mãos dos criminosos.

Jovens do Rio de Janeiro, mesmo os de classe média alta, escondido dos pais, têm subido os morros como o da Mangueira, Bananal, Morro da Alegria, Carinhoso, Parque Liberal, Cebinho, Rola e Pau da Bandeira procurando as melhores punhetas da cidade. No final de semana passado, uma Cherokee foi apreendida na região da Lagoa com 110 quilos de punheta. A polícia ainda investiga a origem do contrabando.

Antes da Copa, o Governo Federal pretende enviar ao Rio tropas militares para garantir que a polícia implante as UPPs (Unidades da Punheta Pacificadora) com mais segurança;

Chat quente de madrugada

Tem um fã do blog que é tão gostoso que prometi a ele uma massagem. No chat, ele veio me cobrar…

02:02 GatoSafado27SP: … e tá me devendo uma massagem!!! rs
02:03 Jorgissimo: to! é mesmo!quando vc quer?
02:04 GatoSafado27SP: eu ando tao estressado. queria agora, mas ja ta tarde
02:04 Jorgissimo: é, um pouco…posso te passar um exercicio de relaxamentomuito simples
02:05 GatoSafado27SP: qual
02:05 Jorgissimo: vc pode ficar deitado de barriga pra cima. e imaginar que esta afundando no colchao bem lentamente\. isso ajuda a soltar o corpo
02:05 GatoSafado27SP: nossa q gostoso
02:06 Jorgissimo: dai voce vai sentindo, como eu to agora pq eu tb to tentando heheheo lencol quentinho em cima do corpo nu
02:06 GatoSafado27SP: heehheeh. olha
02:06 Jorgissimo: te acariciando as pernas. comecando la no calcanhar… na panturrilha… soltando o corpo
02:07 GatoSafado27SP: olha… relaxante… rs
02:07 Jorgissimo: é. vai sentindo o lençol suave em cima do corpo. imagina que vc ta numa praia bem gostosa, de areia fofinha. com o corpo todo relaxado
02:09 GatoSafado27SP: hummm gostoso
02:09 Jorgissimo: vc pode também comecar a acariciar seu peito, tirando toda ansiedade com a ponta dos dedos
02:10 GatoSafado27SP: to ficando relaxado. pode acariciar os mamilos?
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Correio sentimental: como lidar com um namorado tímido?

Uma amiga que finalmente superou um término de relação difícil, me perguntou:

Jorge, na semana passada conheci, através de um casal de amigos, um cara muito bacana. Conversamos longamente naquela noite e, apesar da timidez dele, senti que ele está interessado em mim. Depois daquela primeira noite com muita festa e muito vinho, resolvi fazer diferente e dar o primeiro passo. Mandei um Whatsapp perguntando se ele chegou bem. Ele resolveu responder apenas horas depois, dizendo que estava tudo bem, fora a ressaca. Agora eu não sei direito o que fazer porque nunca tive que lidar com um cara tão tímido. Você tem uma sugestão?

Dentro da cabeça do tímido tem um software que insiste em verificar se ele está sendo adequado, ou seja, tímidos têm medo de dar bola fora. São cuidadosos e observadores. A minha dica é reforçar todas as qualidades boas do que o tímido está usando (“Que camiseta legal!”, “Bonito esse relógio”) para desligar o software de verificação… em seguida, você pode pedir que ele conte algo sobre ele, por exemplo, “Você sempre escuta essa rádio? Por quê?”, ou “Legal essa camiseta, de onde ela é?”, ou ainda “Qual o lugar mais bacana que você conhece no mundo?”. Assim, deixando o tímido confortável, você conhecerá mais a personalidade dele, e ele pode gostar muito de ter alguém que o tire da zona de conforto do mundinho interior.

Correio sentimental – Ciúme

Por causa do blog alguns leitores me mandam mensagens pedindo dicas para relacionamentos. Eu vou começar a responder essas dúvidas e pedidos de dicas aqui, não é simpático? Fiquem tranquilos porque o anonimato é garantido. A primeira é essa aqui, do Antonio:

Jorge, meu namorado viaja com frequência. Apesar de amá-lo, quando ele não está eu dou uma escapadinha com um peguete que conheci antes do meu namorado. O peguete sempre teve um carinho especial por mim e, por falta de tempo ou interesse, ele nunca quis namorar nem comigo nem com ninguém. Mas outro dia fiquei sabendo que ele não apenas está namorando, mas apaixonado por outro cara, fazendo até viagenzinhas! E eu estou morrendo de ciúme, o que eu faço?

Antonio querido, talvez o peguete interpretou que você não é muito sério: que não define a sua situação com o seu namorado… e nem com o peguete. Não dá pra ganhar em todas as apostas amorosas, meu bem.  Foque em apenas uma delas por vez. Pra desestressar, coma macarons. Bjo

Correio sentimental: como abandonar um companheiro abusivo

Olá, queridos leitores.

Faz tempo que não posto aqui os meus contos. Na verdade estou preparando um livro com os meus contos eróticos. Espero que ele saia em breve. Mas hoje o assunto é um pouco mais sério.

Você e eu conhecemos aquele casal – gay ou hetero – que é complicado. Um deles é absolutamente generoso, mas submisso, enquanto o outro é totalmente o contrário: egoísta e dominador. Pois é, quando os opostos se atraem a vida pode não ser tão cor-de-rosa. Veja o caso do meu amigo Lucas.

Lucas tem por volta de 35 anos e vive com Antônio há 14 anos. A princípio, a vontade de que Lucas tinha de ter um relacionamento longo e durável era tão grande que ele tolerou todo o tipo de exigência do então marido:

… até que ele ficou responsável pela programação de nossas férias. E o que aconteceu? Durante sete anos, duas vezes por ano, íamos apenas para a Disney!

Numa outra situação eu comecei a fazer dieta, comendo mais verduras e ele exigiu que eu parasse de comer de um jeito mais saudável porque ele gostava de mim como eu estava, mais cheinho. Não tinha nem controle sobre o meu corpo mais. Eu já não aguentava.

Falando bem francamente com ele, a situação era mais complicada que isso:

Não nos tocávamos fazia já cinco anos. Quando chegava a hora de dormir, na cama eu queria apenas dormir abraçadinho com ele. Mas ele dizia que eu estava invadindo o espaço dele.

O diálogo também tinha ido para o espaço:

Cada vez que eu falava com ele sobre os nossos problemas, eu não tinha como não ficar emocionado. Eu chorava. Ele então começava a tirar sarro, a fazer gracinhas, ou mesmo ofendendo como “Olha só que bebezão você é”.

O Lucas veio me pedir conselhos para deixar o companheiro abusivo. Para resumir todos os conselhos, fiz uma listinha:

  • Deixe duas mudas de roupa, documentos importantes e um pouco de dinheiro num lugar de fácil acesso ou mesmo no porta-malas do carro. Isso é importante caso seu companheiro descubra que você esteja agindo para deixá-lo, porque ele pode se tornar violento. É importante ter um plano de escape rápido. Uma amiga minha, por exemplo, deixou de dormir nua; usava pijamas com que, em caso de emergência, ela pudesse usar na rua.
  • Conta conjunta? Abra uma só para você e deposite ali o seu dinheiro. Se o dinheiro for todo seu, como é o caso do Lucas, vá bater um papo com o gerente do seu banco, peça orientação para barrar o acesso do seu companheiro ao dinheiro com um telefonema.
  • Consulte um advogado.
  • Na nota de despedida que você pode deixar para ele, resista à tentação de escrever com emoção e seja prático. “Não dava mais e tive que ir embora. Qualquer dúvida, consulte o meu advogado” é uma boa.
  • Nas redes sociais, bloqueie amigos dele, familia, e todos aqueles que podem dar a ele informações sobre você
  • Fale do seu plano com amigos de confiança, veja se pode ficar na casa de algum deles até você se reerguer
  • Não pare sua rotina. Continue trabalhando, fazendo suas coisas.
  • Não caia em chantagem emocional. Normalmente as pessoas abusivas são controladoras e usam armadilhas emocionais para exercer o poder sobre outras pessoas. Seja forte, ignore.
  • Também não caia na tentação de voltar. Normalmente, a volta nunca é para melhor.
  • Faça coisas que você sempre quis fazer. No caso do Lucas, ele está fazendo Yoga, dieta, mudou o corte de cabelo e planeja uma viagem para bem longe da Disney!

O que mais é bom para abandonar um companheiro abusivo? Compartilhe seu conselho comigo.

Um abraço

 

Indecisão

Ele é mais timido do que eu era quando eu tinha a sua idade. Ele nao me olha diretamente nos olhos, mas ele analisa minhas maos, os botoes da minha camisa entreaberta e sinto que ele quer saber como é acariciar uma barba densa como a minha.

Caminhamos pela Alameda Santos. Ele está com um jeito de andar mais leve, dançando, quase. Claro que eu acho isso tudo óbvio, mas acho encantador, sabe? Ele é muito claro, com olhos e cabelos muito pretos. Tudo é suave no seu rosto. A sobrancelha farta é doce. Doçura.

E um conhecido me flagrou em pleno pecado do adultério. Nao me importei. Estava mesmo em fim de relacionamento, todos sabiam. Era normal que na ausência do meu “titular” eu quisesse buscar o respeito, a felicidade – quem sabe o amor – nos braços de quem me merecia.

- Vai começar a chover, vamos pegar meu carro?
– Mas vamos pra onde?
– Você nao gostaria de esticar, ir para um bar? Conheço um bacana não muito longe daqui.

E ele me seguiu. No carro, a chuva apertou.

- Qual é mesmo o número da Cultura FM?, ele me perguntou
– Tá aí no número 3 da memória.

Depois de sintonizar, sua mao pousou na minha coxa.

- Gosto desse barulho ritmado do limpador de parabrisa, essa música… – revelava o sonhador do banco do carona.

Ele jogou a cabeça para trás, olhos fechados, adorando o Rachmaninoff que tocava.

- Gosto de música clássica. Tenho estudado para o vestibular ouvindo essa rádio. Escuta. Que maravilhoso esse trecho.

Chegamos. Desliguei o motor e ele protestou:
– Deixa! Tá tao bom o barulho do limpador de para-brisa, esse ritmo, essas gotinhas de chuva, voce..

E colocou a cabeça no meu ombro. Me olhou doce, lânguido. Sua boca rosada estava molhada, entreaberta, arfante. E ele acariciou minha barba, de leve virou o meu rosto e ali, na chuva, no carro, no meio do Prelúdio em Si bemol, um beijo tenro.

Eu estava perdido. Uma parte da minha alma, quase esquecida, tinha sido tocada. Meu coração voltou a ser terno e tranquilo como quem beija pela primeira vez, como quem se joga de cabeça nesse precipício sem fundo que é o amor romântico. Aos poucos abandonávamos os toques no rosto para tomarmos de novo pé da realidade que estava ali. Eu estava traindo.

Trair também é um jeito esquisito de chorar por um amor moribundo, colocar um pé na barca da fantasia e fazer de conta que aquela pessoa com quem você já tem uma história simplesmente não existe, como nada existia naquele beijo apaixonado que eu tinha acabado de receber. Como se um anjo me arrebatasse no meio de um purgatório e me desse asas de cera para voar junto com ele, e me transportasse para um lugar no qual problemas não existem. Mas, o meu problema tinha olhos pretos encantadores, sonhadores, apaixonados. Suspirei.

- Vamos entrar?

O bar estava vazio. O garçom do Director’s Gourmet se espantou que naquele começo de noite chuvoso houvesse alguém com coragem para pôr o pé na rua.
Mal acabei de pedir a minha bebida, ganhei um beijo maravilhoso, ainda melhor que o outro. Agora, eu sentia seu corpo colado no meu. Ele muito esguio, tanto o quanto eu era na sua idade, dançava esfregando o corpo no meu, mas não com a lascívia de quem quer apenas uma noite, nada mais. Sentia que era o contato físico de quem gostaria muito de se apaixonar, de ter uma história com alguém: namorar bastante, apresentar aos amigos, fazer chá de panela e quem sabe até adotarmos um gato; ou cachorro. E eu também, mas já desgastado pela realidade de uma união tão surrada, tão cheia de aviltamentos e desamor, numa batalha na qual só sobrou o respeito.

Sua pele era doce demais para dizer não. Aproveitei o bar vazio e a luz tênue para descobrir que, apesar do braço peludo, ele tinha a a barriga e o peito apenas aveludados, sem pelos que se pudesse notar. Ele suspirou. Seus olhos não decifravam minhas inquietudes: o meu dilema e o medo de transparecer a verdade de que eu estava afim.

Mas ele precisava voltar para casa, na Zona Norte. Me contou como tinha que acordar cedo, estudar, e o que a família dele ia dizer se ele passasse a noite fora. Tinha ficado tarde.
Eu fazia planos de como contar para o meu namorado que eu não queria mais, como não iria negar que fazia pouco tempo, mas eu amava outra pessoa como nunca o amei. Porém, numa intuição, previ que se eu continuasse a ver esse salvador do meu coração, redescobridor dos meus sentimentos, eu teria que continuar a ter a força moral de quem leva a casa nas costas, quem leva e traz de carro. Ele não tinha o perfil, me parece, mas tinha algo ali, um medo de assumir responsabilidade por alguém… eu queria um pouso, apenas; alguém protetor.

Tinha ficado tarde. Para nós dois. E eu, impiedoso, com medo do novo, medo de tomar nas mãos as rédeas da minha vida, eu não o levei para casa. Nós nunca fomos ao cinema, nunca viajamos. Nunca tivemos uma tarde feliz, sei lá, num parque. Fui covarde.