Indecisão

Ele é mais timido do que eu era quando eu tinha a sua idade. Ele nao me olha diretamente nos olhos, mas ele analisa minhas maos, os botoes da minha camisa entreaberta e sinto que ele quer saber como é acariciar uma barba densa como a minha.

Caminhamos pela Alameda Santos. Ele está com um jeito de andar mais leve, dançando, quase. Claro que eu acho isso tudo óbvio, mas acho encantador, sabe? Ele é muito claro, com olhos e cabelos muito pretos. Tudo é suave no seu rosto. A sobrancelha farta é doce. Doçura.

E um conhecido me flagrou em pleno pecado do adultério. Nao me importei. Estava mesmo em fim de relacionamento, todos sabiam. Era normal que na ausência do meu “titular” eu quisesse buscar o respeito, a felicidade – quem sabe o amor – nos braços de quem me merecia.

- Vai começar a chover, vamos pegar meu carro?
- Mas vamos pra onde?
- Você nao gostaria de esticar, ir para um bar? Conheço um bacana não muito longe daqui.

E ele me seguiu. No carro, a chuva apertou.

- Qual é mesmo o número da Cultura FM?, ele me perguntou
- Tá aí no número 3 da memória.

Depois de sintonizar, sua mao pousou na minha coxa.

- Gosto desse barulho ritmado do limpador de parabrisa, essa música… – revelava o sonhador do banco do carona.

Ele jogou a cabeça para trás, olhos fechados, adorando o Rachmaninoff que tocava.

- Gosto de música clássica. Tenho estudado para o vestibular ouvindo essa rádio. Escuta. Que maravilhoso esse trecho.

Chegamos. Desliguei o motor e ele protestou:
- Deixa! Tá tao bom o barulho do limpador de para-brisa, esse ritmo, essas gotinhas de chuva, voce..

E colocou a cabeça no meu ombro. Me olhou doce, lânguido. Sua boca rosada estava molhada, entreaberta, arfante. E ele acariciou minha barba, de leve virou o meu rosto e ali, na chuva, no carro, no meio do Prelúdio em Si bemol, um beijo tenro.

Eu estava perdido. Uma parte da minha alma, quase esquecida, tinha sido tocada. Meu coração voltou a ser terno e tranquilo como quem beija pela primeira vez, como quem se joga de cabeça nesse precipício sem fundo que é o amor romântico. Aos poucos abandonávamos os toques no rosto para tomarmos de novo pé da realidade que estava ali. Eu estava traindo.

Trair também é um jeito esquisito de chorar por um amor moribundo, colocar um pé na barca da fantasia e fazer de conta que aquela pessoa com quem você já tem uma história simplesmente não existe, como nada existia naquele beijo apaixonado que eu tinha acabado de receber. Como se um anjo me arrebatasse no meio de um purgatório e me desse asas de cera para voar junto com ele, e me transportasse para um lugar no qual problemas não existem. Mas, o meu problema tinha olhos pretos encantadores, sonhadores, apaixonados. Suspirei.

- Vamos entrar?

O bar estava vazio. O garçom do Director’s Gourmet se espantou que naquele começo de noite chuvoso houvesse alguém com coragem para pôr o pé na rua.
Mal acabei de pedir a minha bebida, ganhei um beijo maravilhoso, ainda melhor que o outro. Agora, eu sentia seu corpo colado no meu. Ele muito esguio, tanto o quanto eu era na sua idade, dançava esfregando o corpo no meu, mas não com a lascívia de quem quer apenas uma noite, nada mais. Sentia que era o contato físico de quem gostaria muito de se apaixonar, de ter uma história com alguém: namorar bastante, apresentar aos amigos, fazer chá de panela e quem sabe até adotarmos um gato; ou cachorro. E eu também, mas já desgastado pela realidade de uma união tão surrada, tão cheia de aviltamentos e desamor, numa batalha na qual só sobrou o respeito.

Sua pele era doce demais para dizer não. Aproveitei o bar vazio e a luz tênue para descobrir que, apesar do braço peludo, ele tinha a a barriga e o peito apenas aveludados, sem pelos que se pudesse notar. Ele suspirou. Seus olhos não decifravam minhas inquietudes: o meu dilema e o medo de transparecer a verdade de que eu estava afim.

Mas ele precisava voltar para casa, na Zona Norte. Me contou como tinha que acordar cedo, estudar, e o que a família dele ia dizer se ele passasse a noite fora. Tinha ficado tarde.
Eu fazia planos de como contar para o meu namorado que eu não queria mais, como não iria negar que fazia pouco tempo, mas eu amava outra pessoa como nunca o amei. Porém, numa intuição, previ que se eu continuasse a ver esse salvador do meu coração, redescobridor dos meus sentimentos, eu teria que continuar a ter a força moral de quem leva a casa nas costas, quem leva e traz de carro. Ele não tinha o perfil, me parece, mas tinha algo ali, um medo de assumir responsabilidade por alguém… eu queria um pouso, apenas; alguém protetor.

Tinha ficado tarde. Para nós dois. E eu, impiedoso, com medo do novo, medo de tomar nas mãos as rédeas da minha vida, eu não o levei para casa. Nós nunca fomos ao cinema, nunca viajamos. Nunca tivemos uma tarde feliz, sei lá, num parque. Fui covarde.

Numa noite, à luz de velas…

Sou uma pessoa inquieta, que precisa mudar de ar com frequência. É o meu elemento favorito. Adoro o vento da noite batendo no corpo, o silêncio das ruas, o barulho dos meus passos, os olhares voluptuosos trocados com gente de todos os tipos. Logo hoje, quando me sinto sufocado e preciso de um novo sopro, uma respiração boca à boca.

Cruzei com ele não foi pela primeira vez. Talvez ele seja uma criatura como eu: alguém de alma solitária que procura se avizinhar de um pouco de calor. E ele é solar com seu rosto muito inocente e olhar safado. Dessa vez, eu não abaixei os olhos enquanto íamos na direção um do outro. Quem vai desviar? Quem vai demonstrar timidez primeiro? A cinco metros eu sinto que os dois têm coragem; a quatro metros, a boca mais nítida se umedeceu. Três, respirei fundo; sorrimos um para o outro com ternura. Dois, um. Não desviamos.

Duas e meia da manhã eu estava diante desse espelho, desse outro que, como eu, tinha saído nessa noite de julho sem saber o que encontrar e em que destino. Eu toquei seu rosto, sua barba macia. Silêncio. Ele apoiou sua testa contra a minha. Sua respiração de odor doce e seu cheiro de homem me fez precipitar contra a sua boca, seu corpo, e nossas coxas se tocaram de leve. Apesar do gesto ousado, nossas palavras eram tímidas. E mesmo delicadas. Com delicadeza o convidei para sair do frio, prometendo a ele alguma coisa quente para atravessar a noite.

Ele me disse que nossas casas eram parecidas, que os livros na estante eram dos mesmos autores. Enquanto meu blend de chá dos Mariage Frères descansava, o nosso silêncio voltou e sua mão pousou sobre a minha de um jeito muito natural, e era ao mesmo tempo um gesto novo, mas que tinha um inexplicável ar de uma habitude. Entrelaçamos as mãos e eu o puxei contra mim. Acariciei suas sobrancelhas e ele o senti relaxado, tranquilo.

Dei folga ao cadarço e tirei o seu coturno. Mesmo com meias, apostei que seus pés fossem bonitos. A curvatura do peito do pé era elegante: foi a primeira parte que eu beijei depois de tirar sua meia. Depois, o outro pé, como num ritual. Ele correu a mão pela minha orelha, meus cabelos e me beijou no canto da boca. Depois no outro, mas agora com uma pontinha da língua também.

Eu o levei para o abrigo contra as luzes da cidade, da lua, do que fosse. A delicadeza pedia o escuro do quarto com a pouca luminosidade de uma vela que trepidava um pouco. Ele ficou na cama de braços abertos, exibindo seu peito moreno, seus mamilos eriçados por causa do frio e sua bela pelagem. Ele tinha o caminho da felicidade bem desenhadinho, com os pentelhos altos, de onde se erguia seu pênis volumoso e seu saco grande, lisinho. As pernas eram fortes e ao mesmo tempo delicadas. À luz dessas velas, eu fiz esse roteiro com lambidas safadas, ao sons de gemidos profundos de tesão.

Em seguida, ele me mostrou suas costas, era possível ver sua coluna sinuosa que acabava numa bundinha pequena, porém polpudinha. E quem é que não gosta de um cuzinho peludinho? E fu meti a língua alí. Eu sentia seu cuzinho piscar na ponta da minha língua. Ele abria a bundinha peludinha pra mim, eu explorava com mais ânimo suas profundezas. Com a coluna arqueada e dizendo palavras de incentivo, por trás eu cheguei à sua orelha e perguntei, para confirmar: você quer dar a bundinha? Lógico que o safado queria. E não tive dó de lhe socar a vara, como eu nunca tinha socado. Sem delicadezas, sem pensar muito. Eu sentava a rola no cuzinho dele sentindo apenas o prazer de sua bundinha gostosa batendo contra as minhas coxas. E assim nos devoramos.

Trocamos de posição. Ele enlaçou minha cintura com suas pernas e eu mamava seu mamilinho duro enquanto eu, agora mais devagar, tentava explorar em que lugar do cuzinho ele tinha mais tesão. O pau dele, muito gostoso, muito duro, latejava, eu o sentia entre nós. E sem aviso, sem que ele fosse tocado, com minha língua na sua boca ele gemeu cada vez mais alto e gozou. E é claro que vendo essa cena eu não me contive. Ficamos abraçados sem pressa. Não queria que ele fosse embora amanhã, nem depois. Nem depois. E ele não foi.

Depois de um mês, ele disse que, enfim… não dava. Não é raro, amigos, encontrar quem tem medo de se entregar.

Uma estrela do cinema

A cada dia sinto mais forte esse leão dentro de mim. Cada passo que eu dou descendo a Consolação me deixa mais próximo de aliviar essa fissura. Eu sigo esse impulso com preocupação, mas o desejo é tão forte, não dá pra fugir; não posso dormir com esse corpo inquieto. Desço a Consolação à pé, e não posso fugir dessa vontade cada vez mais forte de sexo. Pensei que a caminhada na chuva aliviaria esse tesão, esse fogo no meu corpo, essa vontade de que bocas beijem cada centímetro quadrado da minha pele.

Atravesso a rua e pego a Amaral Gurgel, desvio dos travestis, dos fumadores de crack, dos príncipes desencantados. Passo pelo Arouche, pelas bis que tiram a sobrancelha e pelas de aluguel, meu Gucci começa a ficar apertado no pé.

Entro no cinema, passo por essa primeira sala onde está projetado um filme hétero, e homens-zumbis estão na plateia. Alguns se masturbam, outros masturbam os outros, uns fazem sexo oral; eu vejo essas sombras nas poltronas, homens gulosos. Subo um andar. E por todas as escadas e corredores, homens de todo o tipo num silêncio solene e olhar perdido alisam o próprio pau enquanto passo. Mais uma sala, agora entro pela frente; desta vez o filme é gay e vejo que alguns dormem. Cheiro de macho no ar.

Mais escadas, é o topo do cinemão. Tem um bar com mesas e cadeiras de plástico branco, de piscina. Peço uma cerveja. Atrás de mim, um casal se beija. Um de regata branca, musculoso, sobrancelhas grossas mama a língua do outro, um pouco menor, camisetinha preta agarrada, também forte. Seus olhos bem fechados, entregues, e suas mãos descansam na nuca, nos ombros, na cintura. Como se amam!

Devagar me aproximei, sintonizei com a energia do amor-tesão deles e assim me juntei a eles num delicioso beijo à três. Rápidos, já pegaram no meu pau e tentaram abrir minha braguilha ali mesmo no bar. “Seu pau deve ser uma delícia, disse um deles”. Mas não ali, não naquele cinemão… e fui pra casa deles.

Estamos já no quarto. Assisto ao beijo mole, longo e apaixonado dos dois – são cúmplices, e de um  jeito muito natural me juntei a eles. Pela frente e por trás, de um lado, do outro, senti as carícias desse casal amoroso, de pilequinho, no fim da noite. Eu os saboreei, e eles a mim, de todas as combinações possíveis do sexo à três. Um deles gostava mais de dar; o outro abriu a bundinha do namorado e me ordenou: fode! Eu obedeci, mas minha falta de experiência com mais do que um par de mãos me fez dar atenção demais a apenas a bundidnha dura, arrebitada e peludinha em que eu fincava o pau – falta de etiqueta, falta grave. Para compensar, botei a rola do outro na boca e acariciava o seu saco. Que noite deliciosa. Aquele pau carnudo e venoso na boca, seu cheiro de macho que fodia minha boca. As bolas, grandes, peludas, tocavam meu queixo. “Tá gostando do cu do meu namorado né?”. Eu estava com a boca ocupada demais para responder. O cuzinho do outro estalava no meu saco.

Dormimos os três, juntos. Tomamos café. Retomamos nossas vidas

Nunes

Depois de ter transado a valer com o crente, creio ter recebido um castigo dos céus: fiquei um tempão sem pegar ninguém. E logo agora que eu estava começando a me liberar do romantismo que só me serviu para me defender de mim mesmo. O romance era para que eu me defendesse dessa pulsão sexual fortíssima… entende? Eu preciso cada dia menos de romantizar para transar. E outra: românticos só se ferram. Você, garoto romântico, sabe do que eu estou falando.

Então conheço esse meio de caminho que é estar cheio de tesão, não querendo soltar as feras e… mesmo que eu as soltasse… eu achava que não pegaria ninguém. E juro que eu fazia super atenção para qualquer sinal de um cara para que eu me aproximasse. Não, não rolava nada. E esse tesão enrustido começou a me fazer mal pra caramba, comecei a ficar menos confiante. E dentro de mim cresceu esse tipo de desejo esquisito, novo para mim, de que, de repente, eu não merecia (ou estava cansado de) os mesmos carinhas fofinhos, carinhosos e artistinhas mequetrefes. Homem rude é o objetivo. E o destino ajudou.

Não sei exatamente onde foi que furei o pneu do carro, ele murchou durante a noite. Tudo bem que o seguro toma conta de tudo mas eu odeio passar por esse tipo de chateação. Mas bem, você não está interessado em saber do meu pneu, eu sei. Mas dai estava eu mesmo na oficina mecânica, c’est à dire, calotas de diferentes modelos nas paredes, aquela banheira com água imunda, macacos hidráulicos e graxa. A graxa era o que mais me incomodava porque… imagina macular de graxa meu casaco Lanvin preferido… tragédia… Logo tirei o casaco e botei no porta malas.

Daí vem me atender o mecânico. Um pouco mais baixo que eu, magro porém musculoso e peludo, mãos enormes, imundas, mas fortes, e imaginei já como seria tirar toda a graxa do meu corpo. Depois de enxugar a mão num trapo, ele se aproxima. E seu cheiro suado, com óleo, loção pós barba barata e sua barba cerrada me deixaram já com uma ereção cabulosa. Apertei a sua mão. Nunes. Corintiano. Estou diante do meu antõnimo! E eu o desejo.

Ah, Nunes, da carne macia pela qual percorrerão meus dedos hábeis… do peito peludo onde esfregarei meu rosto, possuirei seu mamilo com minha boca sedenta de seu suor de macho. Seu cabelo penteado com Trim… que vou despentear te dando de mamar no meu pau…

Estou possuído de tesão; eu sinto seu cheiro que me chama para o amor. Ele invade meu espaço pessoal, minha zona de conforto e me fala muito próximo da minha boca. Um amigo meu tem a teoria que a cor dos lábios é a cor da cabecinha. E eu imagino já a cabecinha dele no meio das minhas coxas, como antigamente faziam. E ele deve ter aquele pau rústico, venoso, grosso, pau de ogro.

Ele abaixou pra pegar a chave de roda e deixou cair um pente, que abaixei para pegar. Ele chegou ainda mais perto e me perguntou… “Bora sair daqui?”

Em meia hora, respeitosamente ele retirava a aliança de noivado e a colocou na cabeceira decadente do motel mais typé de beira de estrada, com ventilador de teto. Pelo vitrô passavam tanto a luz do dia suave quanto os orgasmos fingidos das putas. Eu senti sua bunda pela cueca sintética. Nos beijamos. A barba dele machuca mas sua língua é tão macia, não vigorosa; ah e ele me encoxa, se empolga, toma uma posição dominante sobre mim, me prende os braços. E está lá o crucifixo de chapeado a dois centímetros do meu nariz. E decidimos que ia ser uma foda gostosa e laica. Ele atirou longe a correntinha e eu todo o meu pudor. Não tive vergonha de cair de boca no sacão gostoso e suado dele, e passear a minha língua no seu corpo que tinha ainda um resquício de desodorante baratíssimo. Eu estava certo sobre o pau. Chupei, tomei caralhada na cara. Ele começou a ser mais bruto, e eu deixei. Eu consenti que ele usasse de força, que ele ignorasse todas as minhas súplicas de ir mais devagar. Ele não parava. Ah Nunes, que você é macho mesmo comendo um outro cara. De frango ele me socava rola enquanto eu chupava seus dedos, ou o polegar ou o indicador que me exploravam de maneira tão insolente. Eu que não dava assim faz tanto tempo, o que você está fazendo comigo, seu puto. Me come, seu puto. Desde a oficina eu queria dar pra você. Ofegante, ele parou. Agora é a minha vez, ele disse.

E botei o Nunes de quatro e sim, fui sem dó. Eu não era o primeiro. E ele é quem fodia o meu pau. Nunes, você é homem até dando o cu. Seus gemidos graves, intensos, determinados… ocupavam quase todo o andar do motelzinho. E aceleramos. Eu não aguentei e gozei antes. Mas bati a punhetinha mais gostosa que ele jamais bateu.
- “Não me procure, tenho noiva”, disse ele saindo do meu carro. Estou com azar.

… do cu quente

Eu tinha um colega no colégio que era um encanto. Bom aluno, inteligente. Magricela – mas eu ficava paquerando sua bunda redondinha sob o uniforme de helanca. Principalmente na aula de educação física, com o shortinho, dava pra ver que ele tinha uma mala deliciosa, volumosa, tinha ali a promessa de uma rola grossa pra matar a fome. Vindo de uma familia religiosa, ele também era evangélico fervoroso. Eu não sacava essa de evangélico na época, achava apenas que era um outro tipo de gente que perdia tempo todos os domingos. Na verdade eu nunca entendi ninguém.

Bom moço. Não sorria com frequencia, usava óculos, e se afirmava demais enquanto “homem” e religioso. Eu era bobinho, mas sabia que era um cara puta inseguro. Minha estratégia para traçá-lo? Encher a sua bola.

Nossa Hugo como você é inteligente, você é macho pra caralho. Todo o mundo te adora, Hugo. Como você é bom em matemática – me dá um help no final de semana? – isso foi a dica.

Ele chegou de carona com a mamãezinha de coque e saião. Hunf. Vou comer esse carinha. A gente ainda estava de uniforme. Abrimos os livros já na escrivaninha do meu quarto. Ele ia falando devagar, empolgado, hipnotizado com a matéria, enquanto eu arriscava roçar o meu joelho no dele. Para minha surpresa, ele parou o discurso de não sei o que elevado a menos um e começou a acariciar minha coxa. Seu pau rapidinho subiu e pulsava na helanca, eu via. Passei a mão e seu pau latejou. Não tinha ninguém em casa. Vem, eu disse. Daí ele tirou os óculos, me jogou na cama. Nos beijamos.

E eis que ele acabou sentando no meu pau. Ele galopava no meu pau, ainda com a camiseta do colégio. Aquele cu quentinho, gostoso. Acho que não era a primeira vez. Botei ele de quatro. Socava, socava gostoso, intensamente, com fome mesmo, com o desejo guardado de meses olhando aquela bundinha na calça de helanca.

“Glória”, ele gritava, o que eu achava bizarro.

Eu socava no fundo e forte e ele dizia todos, todos os clamores.

Ainda o comi algumas vezes até que a senhora de coque desconfiou de algo, achou que eu era má companhia (eu!) e Hugo mudou de escola.

Nirvana

Era amigo de um amigo. Ele tinha aquele sorriso bonito e olhos que fariam Gaddafi chorar. Naquele dia de calor senti por baixo do discreto e  bom perfume o seu cheiro almiscarado de homem bom. Seu corpo completamente relaxado, inconsciente da presença dominante, se espraiava na mesa do bar leve e lânguido. E eu o quis para mim.
Toquei de leve o seu joelho com o meu e pedi desculpas descaradamente falsas.  Sua mãos no copo de cerveja, a língua que se livrava do pequeno bigodinho de cerveja. Parei de opinar sobre isso ou aquilo para prestar atenção. Eu o queria mais. Tomou as rédeas da mesa quando o garçom não veio me atender. Era um cavalheiro. Um homem muito seguro. Era um macho-alfa.

Quando percebi eu já o admirava e sentia que eu era o prêmio daquela tarde de sol. Fingi que meu carro estava no mecânico e pedi carona. Suas coxas fortes no carro; não resisti e pousei minha mão na sua coxa como se tivéssemos nos conhecido há duas encarnações. Ele percebeu que eu já estava ganho.

Na frente do prédio, convidei-o para subir. Mostrei as casas, os livros. Ofereci uma água, um café. Enquanto separava as xícaras, as duas mãos firmes e bonitas passara pela minha cintura e senti seu beijo na minha nuca. Eu tinha medo de me virar e encará-lo. Eu tinha medo do quanto eu poderia me entregar, depois de tanto tempo. Ele me beijava a alma e a minha nuca. Com as mãos em forma de garra ele massageou minha cabeça e eu obedecia a cada comando. Fechei os olhos e me virei. Sua barba por fazer encostou na minha num beijo que me pedia amor, indo da bochecha até meus lábios.

Eu deixei que ele violasse a minha boca com sua língua macia, a sentia nos dentes, nos lábios e eu só esperava. Eu aguardava sua reação sob o seu domínio. Ele me conduziu até a sala, pelas mãos. A fera despertou. Por pouco não me rasga as roupas. Tentei alertar que a cortina nao estava fechada e não consegui. Ele me beijava o rosto, os lábios, os olhos e fundo, fundo e delicado na boca.

Na minha coxa esquerda, senti sua ereção poderosa e a conduzi em direção à minha. E quando eu vi, ele se deleitava mordiscando o meu mamilo direito. Seus olhos reviravam de prazer de ser amamentado por um homem e eu o acolhi também no outro mamilo. Ele me lambeu até ali em baixo, onde meu pau saía para fora da cueca. Ele me engoliu de uma vez. Eu precisava amamentá-lo de qualquer maneira. Ele queria meu leite, meu sexo todo dentro da sua gula. Primeiro colocava só a cabecinha na boca e a lambia com movimentos circulares e com voracidade, para só depois eu sentisse a minha glande tocando no fundo de sua garganta e sua língua no meu saco. Trouxe a sua cabeça para cima e na sua boca senti o gosto do meu pau.

Eu o deitei na cama, logo depois, como se o crucificasse. Mamei seus peitinhos bem bicudos e senti seu perfume natural almiscarado direto da fonte, quando lambia suas axilas. Mordi suas coxas e aí pus um dos seus pés no meu peito. Beijei o peito do seu pé e coloquei seu joelho no meu ombro. Nisso, ele indicou que queria ser penetrado encaixando a cabeça do meu pau na entradinha do seu cuzinho. Depois de me vestir, eu abri sua bunda peludinha e redonda e não consegui controlar o tremor pelo meu corpo de tesão de comer um cara bem macho e gostoso.

Ele suspirava cada vez que ia mais fundo. Ele era apertado. Quando o movimento de vai e vem ficou mais fácil, estabelecemos um ritmo médio, carinhoso, e eu não queria parar nunca de comê-lo. Seu corpo ficou imenso e queria ser o meu continente. Brotava um pouco de suor do seu rosto e era o mar que me convidava ao sabor, à profundeza. E aquele homem tão forte e seguro se desmanchava em fragilidade na minha pica, na minha boca, na minha lingua, na cama. Ele se despia de sua persona cotidiana em gemidos que pareciam mantras longos e muito sinceros. Com aquele som e o nosso ritmo, fui virando os olhos e sentia que tinha essa energia brotando do meu peito que queria também escapar pela garganta. E o tesão se manifestou num gemido diferente, de baixissima frequencia, acho que por isso a porta tremeu (ou dentro da minha cabeça, pelo menos foi assim que me lembro). Com nosso som o quarto se dissolvia. Não tinha amanhã nem ontem. Éramos nós nesse universo surreal sem tempo. Se nossas linguas se desvencilhassem, seria sugado para fora do quarto; portanto nao abandonei um segundo sua boca. Tentava me refugiar dentro desse homem que se abria todo para mim. Dos meus pés começaram a brotar ondas cada vez mais fortes, e a minha vocalização queria agora sair pela cabeça. E a onda veio forte. Minha alma escapou por um instante eterno do meu corpo. Meu pau pulsava alucinantemente dentro daquele homem. Ele também se contorcia, tendo tido um orgasmo também. E minha alma veio vindo para o meu corpo cansado e o fez adormecer.

De toalhinha – parte 1

Cansado de me culpar, decidi encarar a rua nessa madrugada fresca. Saí para descarregar essa tensão, essa coisa que está acontecendo dentro de mim que não entendo direito, esse desejo exacerbado, curiosidade. E seria bom ver gente, cansar as pernas e assim tentar dormir melhor. Então pus um trench coat, que achei apropriado para esse meio de primavera, e desci a rua molhada e silenciosa até um lugar que eu tinha certeza de encontrar um boteco que fosse, quem sabe alguém para conversar. Mas, na realidade, eu sabia que tinha um clube de orgia gay por ali, e talvez seja esse o verdadeiro motivo da minha ronda. Sim, foi isso. Eu andava pela ruae, na verdade, sem que o clube de orgia saísse da minha cabeça, sem que ele deixasse de me perturbar. Depois de quase uma hora caminhando, estava do outro lado da rua do clube. Parei para observar o vai e vem de homens de diversos tipos, alturas, origens, idades… como é diverso esse mundo gay. Todos esses homens! Eu experimentaria cada um deles.

Eu sabia que eu os queria todos e ao mesmo tempo. Procurava em mim alguma preferência mais forte… de repente um cara totalmente diferente do espanholzinho para variar… mais peludo, ou mais magro… cabelos curtos… eu não conseguia decidir. E, do outro lado da rua do clube de sacanagem, eu começava a ficar tão excitado que a preocupação de que alguém me visse entrando ali foi diminuindo. A chuva que caiu de repente, foi mais um pretexto para começar essa aventura.

Digo para vocês que nunca antes tinha estado em um clube de orgia ou mesmo sauna, portanto eu sentia um frissom difícil de explicar. Abri o jogo para o recepcionista careca, malhado, de regata branca: era minha primeira vez. Ele me mostrou os armários, o esquema de chaves lá no vestiário e recebi um par de chinelos e uma toalha. Não achei o figurino muito chique. “Você teria um roupão?”. Eu pensava que era meio ridículo o que eu estava fazendo. Vamos combinar que toda a vez que mostram gays, ou mostram travestis ou gays de sauna por ai, então em sentia estar num estereótipo… ah, que se dane. Eu pensava nas delícias que me aguardavam. Saí do vestiário. E tinha um bar

O barman era até que bonito, mas pouco atencioso. Não tinha muitos frequentadores. Eu tinha medo de olhar para o lado e ver alguém que eu conhecesse… eu pensava cada coisa ridícula que não vale a pena. Então estou eu de roupão e chinelinho num bar e me sentindo muito cabaço, muito bobinho. Mas o desejo – que força maravilhosa que ele é – me fez olhar ao redor.

As pessoas ficam muito quietas. Até aí tudo bem porque tenho doutorado em carão. Dava pra ver um chuveiro no fundo e acho que tinha um cara todo nu por ali, meio barrigudinho e o nariz aquilino e  olive skin me diziam sul da Itália ou oriente médio. Não vou atravessar a sauna e puxar papo com o cara né. Fui explorar mais. Tinha uma sala pequena com sofás onde uns 3 caras assistiam a um vídeo beeeem quente. Eu, blasé, percebia uns caras mexendo no pau sobre a toalha. E fui ficando excitado também. Um deles abriu mais a toalha e começou a se masturbar lentamente, normalmente, e logo o senhor ao seu lado fez a gentileza de dar-lhe uma mãozinha. E esse senhor, talvez tinha Tourette, exclamava “aaaaah caralho!” algumas vezes. E os dois saíram para uma sala ao lado que era toda pintada de preto… e tinha os tais gloryholes que eu só conhecia por filmes da Falcon Studios, como todos vocês.

Então eu tomei cuidado para que eles não percebessem que eu estava ali. Pelos gloryholes eu via que o senhor era um exímio boqueteiro – de certo anos de prática. E ele tomava o pau médio, grosso, do outro na boca com tanto gosto que parecia estar se fartando de um doce muito bom. E tirava o pau da boca e chingava o cara de filho da puta, de puto, e eu ali “horrorizando”, ainda não acreditando no meu passo. Mas eu gostava de ver. O cara sendo chupado era bonitão, bem conservado, tinha pernas boas, bronzeadas, que o senhor agarrava com gosto enquanto sorvia seu cacete. Mas o rítmo não estava bom e logo me enfadei.  Fui explorar mais adiante.

Achei uma galeria de portinhas vermelhas e uns caras que andavam de um lado pro outro paquerando. Uns faziam total carão. Algumas portas estavam fechadas e eu escutava alguns gemidos. De súbito escuto um estalo de cinto, ou chicote, sei lá, de dentro de uma das salas. No fundo do corredor, um cara tomava uma cerveja e se masturbava assistindo a um filme bem orgiástico. Fiquei de dentro de uma das cabines observando-o e essa proteção me deixou a vontade para eu me excitar. Continuei me tocando por sobre o roupão por um tempo até que um cara passou e sem cerimônia ajoelhou-se e começou a mamar o outro que assistia ao filme. E que cara lindo. Parecia um Baco do Caravaggio. Agachado, sua toalha desceu e revelava metade da bunda bem servida, redonda e parecia tão macia. Os dois entraram numa cabininha acabando com a minha diversão.

Eu estava sem coragem de fazer nada. Mas daí um cara de branco, musculoso, um jeitão meio de capoeirista… lindo sorriso… me abordou: “Quer uma massagem?”

Não tinha como dizer não.

Amanhã eu conto como foi.