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Uma estrela do cinema

A cada dia sinto mais forte esse leão dentro de mim. Cada passo que eu dou descendo a Consolação me deixa mais próximo de aliviar essa fissura. Eu sigo esse impulso com preocupação, mas o desejo é tão forte, não dá pra fugir; não posso dormir com esse corpo inquieto. Desço a Consolação à pé, e não posso fugir dessa vontade cada vez mais forte de sexo. Pensei que a caminhada na chuva aliviaria esse tesão, esse fogo no meu corpo, essa vontade de que bocas beijem cada centímetro quadrado da minha pele.

Atravesso a rua e pego a Amaral Gurgel, desvio dos travestis, dos fumadores de crack, dos príncipes desencantados. Passo pelo Arouche, pelas bis que tiram a sobrancelha e pelas de aluguel, meu Gucci começa a ficar apertado no pé.

Entro no cinema, passo por essa primeira sala onde está projetado um filme hétero, e homens-zumbis estão na plateia. Alguns se masturbam, outros masturbam os outros, uns fazem sexo oral; eu vejo essas sombras nas poltronas, homens gulosos. Subo um andar. E por todas as escadas e corredores, homens de todo o tipo num silêncio solene e olhar perdido alisam o próprio pau enquanto passo. Mais uma sala, agora entro pela frente; desta vez o filme é gay e vejo que alguns dormem. Cheiro de macho no ar.

Mais escadas, é o topo do cinemão. Tem um bar com mesas e cadeiras de plástico branco, de piscina. Peço uma cerveja. Atrás de mim, um casal se beija. Um de regata branca, musculoso, sobrancelhas grossas mama a língua do outro, um pouco menor, camisetinha preta agarrada, também forte. Seus olhos bem fechados, entregues, e suas mãos descansam na nuca, nos ombros, na cintura. Como se amam!

Devagar me aproximei, sintonizei com a energia do amor-tesão deles e assim me juntei a eles num delicioso beijo à três. Rápidos, já pegaram no meu pau e tentaram abrir minha braguilha ali mesmo no bar. “Seu pau deve ser uma delícia, disse um deles”. Mas não ali, não naquele cinemão… e fui pra casa deles.

Estamos já no quarto. Assisto ao beijo mole, longo e apaixonado dos dois – são cúmplices, e de um  jeito muito natural me juntei a eles. Pela frente e por trás, de um lado, do outro, senti as carícias desse casal amoroso, de pilequinho, no fim da noite. Eu os saboreei, e eles a mim, de todas as combinações possíveis do sexo à três. Um deles gostava mais de dar; o outro abriu a bundinha do namorado e me ordenou: fode! Eu obedeci, mas minha falta de experiência com mais do que um par de mãos me fez dar atenção demais a apenas a bundidnha dura, arrebitada e peludinha em que eu fincava o pau – falta de etiqueta, falta grave. Para compensar, botei a rola do outro na boca e acariciava o seu saco. Que noite deliciosa. Aquele pau carnudo e venoso na boca, seu cheiro de macho que fodia minha boca. As bolas, grandes, peludas, tocavam meu queixo. “Tá gostando do cu do meu namorado né?”. Eu estava com a boca ocupada demais para responder. O cuzinho do outro estalava no meu saco.

Dormimos os três, juntos. Tomamos café. Retomamos nossas vidas

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